Casal gay que recebeu carta do Papa por batizar filhos ouviu ‘não’ de quatro igrejas

O pontífice segue uma linha avessa à dos conservadores católicos quando se trata do relacionamento da Igreja com os gays. Em 2016, ele que, segundo o catecismo, os homossexuais “não devem ser discriminados, e sim respeitados e acompanhados no plano pastoral”, repetindo uma fórmula utilizada durante o primeiro ano de seu pontificado, quando surpreendeu ao mundo com sua afirmação: “Se alguém é gay e busca ao Senhor com sinceridade, quem sou eu para julgá-lo?”.

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Papa Francesco a coppia gay con i tre figli adottivi: «Benedizione apostolica alla vostra famiglia»

11 AGO 2017 

CITTÀ DEL VATICANO-ADISTA. “Io non ho paura” potrebbe essere il motto di papa Francesco per molte sue affermazioni che vanno ben al di là di catechismi, diritti canonici, tradizione, consuetudini e riflessioni teologiche. Non ha paura delle reazioni che di volta in volta esse suscitano. Rientra fra i suoi “passi più lunghi della gamba” ecclesial-moderata (e ecclesial-reazionaria) aver chiamato «famiglia» una coppia gay, e con tanto di benedizione apostolica.

Toni Reis e David Harrad, sposatisi a Curitiba (Brasile) nel 2011 dopo una convivenza di 27 anni, hanno adottato tre ragazzi: Allyson (16 anni) e i fratelli Jessica (14) e Filipe (11). Ad aprile di quest’anno li hanno fatti battezzare, e hanno voluto raccontare la loro storia e la loro felicità per la grazia e il battesimo dei loro tre ragazzi in una lettera a papa Francesco, accompagnandola con foto della cerimonia, copia dei certificati e un particolare ringraziamento al capo della Chiesa cattolica.

Toni e David mai si sarebbero aspettati una risposta. Che invece è giunta, il 10 luglio, firmata da mons. Paolo Borgia degli Affari Generali della Segreteria di Stato vaticana, e le cui parole non potranno non rendere felici persone lgbt di tutto il mondo, i cui matrimoni non sono ammessi dalla Chiesa cattolica, secondo la quale – e viene ripetuto ad ogni pie’ sospinto – i contraenti per originare una famiglia devono essere esclusivamente un maschio e una femmina. Nella risposta a firma Paolo Borgia si legge: «papa Francesco», che «ha apprezzato la lettera», «porge a voi anche le sue congratulazioni, invocando per la vostra famiglia l’abbondanza delle grazie divine, affinché viviate costantemente e felicemente la condizione di cristiani, come buoni figli di Dio e della Chiesa, e inviandovi una augurale Benedizione Apostolica, con la richiesta di non dimenticarvi di pregare per lui». La lettera, la cui foto è visibile qui, è corredata da una foto di Francesco autografata.

Tratto da adista 

(https://mauroleonardi.it/2017/08/11/papa-francesco-a-coppia-gay-con-i-tre-figli-adottivi-benedizione-apostolica-alla-vostra-famiglia/)

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Casal gay que recebeu carta do Papa por batizar filhos ouviu ‘não’ de quatro igrejas

Toni Reis e David Harrad só conseguiram batizar crianças após falar com arcebispo

POR CLARISSA PAINS

Os três filhos de Toni Reis e David Harrad mostram, orgulhosos, suas certidões de batismo – Arquivo pessoal

RIO — Foi um périplo para Toni Reis e David Harrad conseguirem batizar seus três filhos na Igreja Católica. Eles passaram por quatro paróquias em Curitiba, onde moram, e ouviram “não” de todas elas. Até que resolveram procurar o arcebispo, Dom José Antonio Peruzzo, que deu a autorização logo nos primeiros minutos da audiência, pondo um fim à questão. O batizado ocorreu em abril, e a surpresa maior foi divulgada ontem, segunda-feira, por Toni Reis, em sua página do Facebook: o Vaticano enviou uma carta com agradecimentos do Papa Francisco.

— David e eu temos muitos amigos na América Latina que são católicos e que também têm essa dificuldade de batizar os filhos e de ter uma vida dentro da igreja com eles. Então resolvemos montar um mini dossiê sobre a nossa experiência e enviar ao Papa. Mas não esperávamos resposta, de jeito nenhum! Foi incrível quando vi a carta — conta Reis, de 53 anos, brasileiro, católico, professor e ativista dos Direitos Humanos.

O casal está acostumado a esse tipo de périplo. Juntos há 27 anos, Toni Reis e o inglês Harrad, de 59, puderam se casar oficialmente em 2011, quando o Supremo Tribunal Federal reconheceu a “união estável” para os casais de mesmo sexo. E foram os primeiros homossexuais a conseguirem adotar um filho a partir de uma decisão do STF — processo que demorou longos sete anos.

— Outros casais gays conseguiram adotar antes, mas sem chegar ao STF. Nós precisamos ir desde a primeira instância até o Supremo. Foi muito desgastante, mas criamos uma jurisprudência. Hoje, o casal gay que quiser adotar vai demorar bem menos. Acho que é fundamental ter exigências, porque cuidar de uma vida em casa não é algo simples, então é normal que se demore um ou dois anos. Mas não pode demorar mais para um casal gay só pelo fato de ser gay — destaca Reis.

Esse processo que chegou ao STF foi para a doção de Alyson, hoje aos 16 anos. Depois disso, Reis e o marido adotaram os irmãos biológicos Jéssica, hoje aos 14, e Filipe, de 11.

A família só viu a carta do Vaticano após voltar de uma viagem à Europa. Eles visitaram seis países — Italia, Inglaterra, França, Suíça, Espanha e Portugal —, e Reis conta que, em todos os lugares, foram tratados como família.

— Isso foi muito legal. Em promoções de restaurantes, em entradas de museus, sempre fomos tratados como família. É uma evolução muito importante — pontua ele.

 

O caçula, Filipe, de 11 anos, recebe o batismo na Catedral de Curitiba – Arquivo pessoal

Reis é católico desde criança. Já Harrad é anglicano. Os dois tiveram uma conversa com os filhos para saber o que preferiam: adotar uma religião, esperar até os 18 anos para se decidirem ou não manter laços com qualquer doutrina. Mas os três escolheram ser batizados na Igreja Católica.

— Nada foi imposto. Eles quiseram, então fomos atrás da vontade deles — diz Reis. — Enquanto estávamos fazendo nossa viagem, se soubéssemos que o Vaticano tinha mandado essa carta de agradecimento, teríamos procurado a assessoria do Papa Francisco lá. Uma pena que não sabíamos. Mas continuamos com o sonho do conhecer o Papa.

O pontífice segue uma linha avessa à dos conservadores católicos quando se trata do relacionamento da Igreja com os gays. Em 2016, ele que, segundo o catecismo, os homossexuais “não devem ser discriminados, e sim respeitados e acompanhados no plano pastoral”, repetindo uma fórmula utilizada durante o primeiro ano de seu pontificado, quando surpreendeu ao mundo com sua afirmação: “Se alguém é gay e busca ao Senhor com sinceridade, quem sou eu para julgá-lo?”.

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